Curso ensina a criar uma ‘Sala de Aula invertida’

Professores e gestores de todo o país curiosos não apenas em entender o conceito mas também saber como aplicar o flipped classroom ou sala de aula invertida poderão participar do curso on-line Flip: a Sala de Aula Invertida que será realizado entre os dias 16 de setembro e 4 de outubro. Um dos principais estudiosos do tema, o norte-americano Jon Bergmann será o instrutor. “Nós estamos passando por um processo de evolução onde o ensino e aprendizagem precisam focar mais o aluno e menos no professor”, afirma Bergmann, que é um dos autores do livro Flip Your Classroom.

Focado na busca por um processo pedagógico mais qualitativo, que visa a otimizar o tempo da sala de aula com um contato professor-aluno mais produtivo, o flipped classroom é um conceito ainda recente entre educadores brasileiros. Nos Estados Unidos, desde 2006, professores e especialistas têm estudado experiências na área.

ornada possível graças à crescente popularização das videoaulas em plataformas como o YouTube – a exemplo do professor celebridade da rede Salman Khan –, a flip trabalha, em sua essência, com a lógica de repassar aos alunos explicações curtas, diretas e objetivas em vídeo, que podem ser assistidas em casa por meio de diversos dispositivos: dos celulares aos tablets. E, principalmente, antes da aula.

“O processo de aprendizagem, de fato, passa a funcionar de uma maneira diferente. A grande vantagem é que o aluno aprende de uma forma mais personalizada. É no momento de antecipação dos estudos, quando o aluno fica diante do exercício ou explicação proposto no canal do YouTube, que vai ocorrer um maior processo mais pessoal”, diz Wilson Azevêdo, diretor técnico-pedagógico da Aquifolium Educacional, organizadora do curso, e especialista em inovação em educação.

Para entender um pouco sobre o conceito e como ele tem chegado aos profissionais de educação do país, o Porvir conversou com Azevêdo. Confira a entrevista:

Como o senhor define a sala de aula invertida e qual a vantagem do modelo?
A inversão é muito clara. Em linhas gerais, o fluxo de informações que hoje é da sala de aula para casa, passa a ser da casa para a sala de aula. Mas essa inversão é muito mais do que uma mudança na agenda de horários. O processo de aprendizagem, de fato, passa a funcionar de uma maneira diferente. A grande vantagem é que o aluno passa a aprender de uma forma mais personalizada.

Mas como ocorre essa personalização?
Com as atividades imersas dentro da lógica da sala de aula invertida, os alunos ficam diante de exercícios com conteúdos mais genéricos que podem ser explorados por meio de vídeos pedagógicos on-line, por exemplo, repassados pelos professores para serem vistos de casa. É esse momento de antecipação dos estudos, quando o aluno fica diante do exercício ou explicação proposto no canal do YouTube, que vai ocorrer um maior processo mais pessoal. A aplicação da flip tem demonstrado que a flexibilidade permitida pelos vídeos, que podem ser acessados a qualquer momento, torna o processo muito mais eficiente. E o acesso pode ser feito, por exemplo, no ônibus a caminho da escola, não apenas em casa. Com o conteúdo genérico repassado com brevidade a todos, os estudantes focariam no contato mais próximo com o professor para o esclarecimento de dúvidas.

Para funcionar plenamente essa lógica os alunos precisam ser mais disciplinados?
Não trata de ser mais disciplinado, ele precisa continuar tendo uma rotina de estudos regular. Ele precisa separar um tempo para fazer o que deveria fazer em sala de aula, mas agora de uma forma mais estratégica e focada. E, o mais importante, é que precisamos aproveitar de forma mais qualitativa o tempo da sala de aula.

E para dar certo é preciso utilizar a tecnologia?
A tecnologia é o menor dos fatores para a concretização da flip. Você pode inverter a sala de aula disponibilizando livros e materiais didáticos de aprofundamento ao aluno também. Mas com os avanços tecnológicos atuais, é interessante considerarmos a tecnologia que está ao nosso dispor, ainda mais quando levamos em conta que estamos imersos no século 21.

O nosso sistema educacional está preparado para aderir a sala de aula invertida?
O fato é que precisamos melhorar nossa educação e a sala de aula invertida pode ser uma saída interessante. Mas temos sempre que ter em mente que o tempo da educação é diferente do tempo da tecnologia. Países como a Finlândia levaram décadas para mudar o seus sistemas educacionais, considerados um dos mais inovadores do mundo.

SERVIÇO:
Flip: a Sala de Aula Invertida
Data: de 16/09 a 04/10
Valor:  R$ 460 (os primeiros a se inscreverem pagam o valor promocional de R$ 230)
Observação: O curso on-line contará com tradução para o português.
Informações e inscrições

 

Fonte: 
http://porvir.org/porfazer/curso-ensina-criar-uma-sala-de-aula-invertida/20130807