Ambientes virtuais permitem que alunos afastados por doenças participem das aulas

Nem todos os colégios colocam em prática, mas todo aluno que passa por uma doença grave tem o direito de ser assistido pela escola enquanto recebe o tratamento em casa. A Lei nº. 1044 prevê que os estudantes afastados temporariamente para o tratamento de doenças recebam atividades escolares compatíveis com o seu estado de saúde e que sejam acompanhados pelos professores mesmo que a distância.

A novidade é que a tecnologia tem tornado essa assistência ainda mais completa. Recursos permitem que o aluno não só acompanhe, como também participe das aulas, mesmo se estiver em casa. Um dos pioneiros no uso da tecnologia aplicada ao ensino, o Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo, criou um método que permite que os estudantes afastados interajam com a sala de aula por meio de ambientes virtuais.

Desde o 2º ano do Ensino Fundamental, todos os estudantes do colégio tem acesso ao Moodle, um software livre que serve de apoio ao conteúdo visto em sala de aula. Na plataforma, os professores disponibilizam textos complementares, atividades interativas, fotografias, vídeos, links e outros elementos capazes de enriquecer o conteúdo trabalhado durante as aulas. Os alunos ainda podem discutir suas ideias em fóruns, tirar dúvidas com professores e fazer suas contribuições. A novidade está na adaptação do Moodle para aqueles que estão temporariamente afastados da escola por motivo de doença.

Em 2012, Henrique* (nome usado para preservar identidade da criança), um aluno do 6ª ano do colégio, passou por um problema de saúde que o afastou das aulas por mais de 4 meses, enquanto aguardava um transplante de medula. Os professores, em parceria com a equipe de Tecnologia Educacional do colégio, se uniram para criar um ambiente virtual restrito, de modo que ele pudesse interagir com os professores em chats e mensagens para acompanhar mais facilmente as aulas.

Além disso, o aluno poderia se comunicar com os colegas por meio do fórum e ter acesso a todo o conteúdo de sala de aula adaptado para ele, com algumas atividades interativas que deveriam ser cumpridas em um ritmo adequado à sua condição física. A interação foi documentada por meio de relatórios e apresentada à Diretoria de Ensino, que aprovou o garoto para o ano seguinte. “O processo da doença já é exaustivo demais para uma criança. Não queríamos que a reprovação na escola fosse mais um fator estressante na sua recuperação. Por isso, fizemos o possível para que o ambiente virtual se assemelhasse à experiência na sala de aula e permitisse que ele acompanhasse a turma no ano seguinte”, explica Renata Guimarães Pastore, diretora geral de Tecnologia Educacional no Colégio Visconde de Porto Seguro.

No ano passado, um outro caso de afastamento mobilizou a escola diante de um novo desafio. Ana* (o nome da criança também foi preservado), de apenas 6 anos, ainda em fase de alfabetização, teve que passar por um processo de quimioterapia e foi afastada da escola por quase 7 meses. Aluna do 1º ano do Ensino Fundamental, o que preocupava os pais era a falta de convívio da menina com seus colegas, de modo que ela se sentisse participante do cotidiano escolar.

Os professores, em parceria com a equipe de tecnologia educacional, adaptaram o material escolar para conteúdos interativos que pudessem ser acessados de casa ou do hospital por meio de um tablet, dependendo da fase de tratamento.

Além disso, a sala física tornou-se um ambiente de videoconferência, no qual Ana* podia ver os colegas e interagir com eles. Os amigos também gostaram da novidade e sempre comemoravam quando ela aparecia em vídeo, o que contribuiu para o equilíbrio emocional da garota. Segundo Renata, os próprios médicos afirmaram que a menina respondia melhor ao tratamento nos períodos em que estava em contato com seus amigos, mesmo que a distância.

Mas, para a diretora, o apoio ao aluno em uma época tão delicada não se restringe apenas à adaptação do cotidiano ao ambiente tecnológico. Periodicamente, a equipe do Colégio faz visitas a esses alunos para trazer materiais, livros, e tudo o que for necessário para que a Ana* passe por esse período do modo mais tranquilo e que se mantenha atualizada em relação ao que seus colegas estão vendo nas aulas. “Nesse processo, não só ela ganhou, como também os colegas, que logo aprenderam com as videoconferências a dar espaço para a diversidade de condições dentro da turma”, complementa a diretora.

 

Fonte: 
https://www.institutoclaro.org.br/blog/ambientes-virtuais-permitem-que-alunos-afastados-por-doencas-participem-das-aulas/