Por que a mobilidade pode ajudar na nova educação? (como assim, ela ainda não esta?!)

Para responder a pergunta do titulo é importante voltar um passo, e entender o que significa a palavra  “mobilidade”. Se você digitar esta palavra no Wikipédia, vai aparecer mobilidade em física, software, telecomunicação e urbanismo. Pesquisando na internet mais um pouco encontrei um artigo de sociologia  falando de mobilidade social horizontal e vertical, em resumo, esta palavra esta na moda, mas não consigo ouvir alguém me explicar exatamente o que é esta tal de mobilidade.

Para tentar explicar algo, e longe de querer ser o dono da verdade, vou colocar alguns dos meus pontos de vista. Mobilidade pelo dicionário online de português é:
Facilidade para se mover, para ser movido
Facilidade para mudar de expressão
Fig. inconstância, instabilidade

Por tudo que li (e pouco que entendi), falamos hoje em dia muito sobre mobilidade pelo fato da nossa vida estar ficando mais fácil devido aos aparelhos móveis, ou seja, celulares, e conexões que estes fazem com uma rede, a internet. Mapas, agendas, e-mails, redes sociais, comunicação entre outros serviços.

Para dar alguns exemplos práticos, o Banco Itau lançou um aplicativo que pode transferir dinheiro de um correntista para outro através da proximidade dos aparelhos, seguindo nesta linha o que dizer dos aparelhos que acoplados ao seu celular podem receber pagamentos via cartão de crédito. Com foco em transporte poderia citar o GPS, são diversos aplicativos que te ajudam a chegar nos lugares, ou então aquele como o Easy Taxi que pode facilitar e te dar segurança para localizar um taxi independente do horário e local que esteja. Poderia falas sobre saúde apresentando aplicativos que medem sua performance quando corre ou pratica atividades físicas, ou quem sabe aplicativos de comunicação que ajudam você a ficar conectados com todos os seus amigos como o WhatsApp.

Avaliando o movimento de mercado, todas as empresas estão criando aplicativos para seus serviços ou produtos. Por que isto acontece? Simples, elas querem que a marca, utilidade, valor, etc., acompanhem o cliente o tempo todo, sem contar que com algo no seu bolso o dia inteiro, ainda consigo criar maneiras diferentes de te impactar com informações institucionais sem ter cara de comercial ou vendas. Lembrando que quem decide baixar algum aplicativo é o próprio usuário, ou melhor ainda, o cliente.

Como esta matéria não é para falar de negócios, vamos direto ao ponto, mobilidade é constantemente citada pelas pessoas, direta ou indiretamente, porque tudo esta no alcance da sua mão, do seu bolso ou do seu dedo dependendo do caso. Você não precisa mais chegar em algum lugar para conseguir algo, mas é possível alcançar objetivos de uma maneira mais prática e móvel. Obviamente que isto traz mudanças de comportamento, em muitos momentos bons em outros ruins, porem este tópico deixarei para outro artigo.

Se a mobilidade esta tão presente nas empresas e nos consumidores, o quanto ela esta presente na educação? Vamos ser honestos, a não ser que seja pelo uso das mídias sociais ou aplicativos de mensagem, que não tem fim nenhum educacional, eu diria que a resposta é ZERO%. O que mais impressiona é que tanto gestores, quanto professores e alunos estão utilizando a mobilidade para facilitar sua vida, mas poucos trazem estas vantagens para dentro da sala de aula, e isto acontece porque precisamos mudar os conceitos, compartilhar aplicativos e gerar conteúdo em conjunto.

Onde quero chegar? Na transformação da educação, deixando ela móvel e acompanhando os alunos durante o dia inteiro, criando oportunidades de aprender ou associar conteúdos com cada experiência que ele tem na sua vida. Para isto precisamos iniciar dando passos pequenos e depois aumentando a nossa compreensão.Primeiro lugar, ainda utilizamos lousa, cadernos e canetas com uma geração que esta cada vez mais digitando ao invés de escrevendo. Não quero chegar no formato de tudo digitado, mas como podemos balancear esta equação. Será que uma parte da aula não poderia ser gravada, ou digitada no celular, ou ter uma série de perguntas que eles teriam que tirar fotos para responder, quem sabe ao invés de agenda papel, não poderíamos colocar as datas da prova ou entregas de trabalho para que o celular avisasse aos alunos.

Estas simples atitudes deixariam o conteúdo com o aluno fora do ambiente da escola, o que transformaria as aulas em “mobilidade”, afinal ele consegue acessar algo que esta presente no dia a dia dele. Alguns aplicativos que podem ajudar: Evernote, ele permite que você aluno consiga anotar rapidamente qualquer recado, tarefa, exercício, trabalho e ainda registrar suas idéias e armazená-las em livros, podendo organizar direitinho cada matéria. O InClass é um aplicativo para o iPad capaz de administrar e organizar os horários das aulas dos alunos, ele é ideal para todo tipo de estudante e permite o controle das datas de entregas de trabalhos, provas e projetos. Quickvoice Recorder é um gravador onde você poderá mais tarde enviar a gravação por e-mail ou cabo USB para o iTunes.

Falamos do primeiro passo, vamos tentar aprofundar a mobilidade na educação, para isto não vou escrever sobre respostas, mas sobre perguntas que precisamos definir cada vez mais, para depois começarmos a pensar onde elas irão nos levar.

Quando falamos de mobilidade, porque então os alunos não podem criar aulas utilizando a tecnologia que eles tem com eles e nos horários fora da escola. Se um aluno consegue copiar e colar um trabalho do Google, porque ele não pode simplesmente a partir de temas definidos, criar conteúdo para ensinar aos colegas de classe, ou melhor, ajudar ao professor a ensinar de uma maneira mais legal, utilizando aplicativos e soluções feitas pela mente de um estudante.

Seguindo o parágrafo acima, os trabalhos se tornariam apresentações constantes, motivadas pela busca de novas descobertas, não seria mais algo pela nota, mas pelo prazer de entender que em todos os locais é possível aprender. Já que estamos criando muita coisa em conjunto, que tal compartilhar com o mundo inteiro, imagina que legal seria aprender com alguém de outra escola ou até mesmo pais sobre o assunto estudado, que tal gerar um debate sobre conceitos ou fatos históricos, onde os alunos devem pesquisar argumentos, subir em um repositório de conteúdo e depois receber a opinião de qualquer pessoa conectada a rede, estou falando de ex-alunos, amigos, parentes, outros professores, pesquisadores, etc. Todo conhecimento pode ser compartilhado.

E as provas, teríamos um dia onde todos entrariam na sala, sentariam nos seus lugares, pegariam canetas e responderiam as perguntas valendo nota de 0 a 10, acho que não?! Porque não transformamos a prova em uma competição ou desafio, onde o aluno tivesse que utilizar o conhecimento de diferentes matérias, ou mesmo que seja apenas uma, poderia ser testes de conhecimento utilizando perguntas projetadas com tempo de resposta, ou poderiam ter que desvendar as perguntas em códigos, equações ou línguas diferentes. Que tal utilizar a mídia social para que os alunos respondam perguntas, coloquem links associados a resposta ou até mesmo compartilhem duvidas com os amigos.

Acredito que todo professor busca seguir uma frase da Cora Coralina, “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Estamos falando de transferir, mover e mobilidade com aprender, ensinar e educação. Não quero impor respostas, mas colocar duvidas sobre o formato da educação, não preciso citar a importância e nem o grau de seriedade dela, mas acredito que assim como várias áreas sofrem mudanças impactadas pela tecnologia, chegou a hora do ensino. Para finalizar e ter certeza que atingi meus resultados segue a ultima pergunta do artigo: como será a sua próxima aula?

Carlos Coelho, fundador e diretor da Consultoria Nova Educa

 

Fonte: 
http://consultorianovaeduca.com.br/futurodaeducacao/por-que-a-mobilidade-pode-ajudar-na-nova-educacao-como-assim-ela-ainda-nao-esta/